Coluna Seabra Neto

Entrevista: Marcelo Soares fala sobre os 25 anos da Muzak em Pernambuco

07 jun 2017 por Seabra Neto

Coragem de empreender e abrir, nos anos 90, uma produtora especializada em áudio para publicidade.  Esse foi um dos desafios do publicitário, produtor e empresário Marcelo Soares ao criar o Estúdio Muzak, que está completando 25 anos de atuação no mercado publicitário de Pernambuco. Para marcar a data, a empresa tem como proposta reposicionar a marca como um estúdio de criação e produção audiovisual de conteúdo para diversos segmentos e plataformas. Em entrevista exclusiva para coluna, Marcelo relembrou fatos relevantes que marcaram a trajetória da Muzak e falou sobre as novidades e os planos para a produtora nos próximos cinco anos. Saiba mais acompanhando a entrevista:

Seabra Neto –  Referência no mercado publicitário de Pernambuco,  o  Estúdio Muzak está completando 25 anos de atuação como produtora de áudio, com a proposta de se reposicionar como estúdio de criação e produção de conteúdo para diversos segmentos e plataformas. Antes de falarmos sobre esse tema, gostaria que você fizesse um balanço da empresa ao longo dessa trajetória.

Marcelo Soares – O balanço é extremamente positivo. Construímos uma marca que é referência no mercado, reconhecida pela qualidade e seriedade, pela pitada de ousadia e paixão pelo que faz. Eu gosto muito de uma frase de William Blake que diz: “A eternidade anda apaixonada pelas invenções do tempo”.  Acho que ela traduz muito bem o momento em que vivemos, quando temos 25 anos de atuação e experiência no segmento e, ao mesmo tempo, estamos nos recriando, reinventando, em sintonia com um mercado que está em profunda transformação.

 Seabra Neto –  Durante esses 25 anos, quais foram os maiores desafios enfrentados até conquistar um lugar de destaque no mercado?

Marcelo Soares – Acho que enfrentamos vários desafios. Mas avalio que os principais foram: primeiramente, a coragem de empreender e abrir uma produtora especializada em áudio para publicidade em um mercado onde não existia ainda essa especialização. Hoje esse modelo não funcionaria mais. Depois foi ampliar a prestação de serviço para novos mercados. Um reflexo dessa ampliação foi a criação, há sete anos,  de  um escritório em Brasília, atuando num mercado extremamente competitivo, exigente, onde os nossos maiores concorrentes são as produtoras de São Paulo.  Outro importante desafio que gostaria de citar foi ter conseguido estabelecer relações duradouras com clientes, fornecedores, parceiros em um mercado onde quase não existem licitações para produtoras de áudio e em que a maioria dos contratos é de curta duração ou job a job. Por último, mas não menos importante, foi conseguir manter uma equipe coesa e motivada.  A Muzak tem hoje profissionais mais jovens do que a sua própria história.

Seabra Neto –  E quais os fatos, projetos e cases mais relevantes e que marcaram a trajetória da produtora?

Marcelo Soares – Vivemos muitas experiências importantes ao longo desses anos. Mas alguns dos cases que gostamos sempre de relembrar foram: o resgate do hino de Pernambuco em sete versões (um projeto que foi bastante premiado e que teve forte impacto na população); os álbuns da Candeeiro Records que lançou, entre outras coisas, o primeiro CD do DJ Dolores; o CD Baião de Vira Mundo (que chegou a ser destaque da semana no New York Times). O CD do Projeto Frevo do Mundo no qual colocamos artistas como Edu Lobo, João Donato, Orquestra Imperial, Céu, Mundo Livre e China para fazerem releituras de clássicos do frevo com  orquestração e regência de grandes maestros, tais como: Duda, Ademir Araújo e Clovis Pereira. Outro case importante foi o programa de rádio Chico Taxista, que originalmente foi concebido para o rádio e conquistou a web e depois a TV. Mais recentemente, em coprodução com o Ateliê Produções e  o maestro Spok, realizamos o longa-metragem Sete Corações.

Seabra Neto –  A Muzak também é uma referência para a propaganda de Pernambuco. Qual sua opinião sobre a publicidade e qual a relação da produtora com esse mercado?

Marcelo Soares – Como comentei antes, o mercado de comunicação está em profunda transformação: novas mídias, tecnologias, novos comportamentos de consumo.  Os integrantes desse mercado estão reavaliando os seus modelos de negócio para que possam atender às novas tendências. É preciso estar bastante atento aos novos rumos da comunicação. A relação do estúdio com as agências de publicidade continua sendo de parceria, atendendo a serviços já consolidados e experimentando outros formatos.

Seabra Neto –  Voltando para o reposicionamento da marca, como a Muzak se planejou para adentrar, mais fortemente, no mercado de produtos digitais e audiovisuais?

Marcelo Soares – A Muzak vem investindo em um conjunto de ações importantes que compõem o Projeto Muzak 25. Investimos em uma consultoria para analisar o mercado e, a partir daí, traçar o seu reposicionamento de marca/negócio. Com essa mudança, é preciso que a operação também aconteça de forma diferente. Temos investido no entendimento e na reestruturação dessa operação, na atualização e capacitação da equipe, com a troca de experiências com outros profissionais do mercado local e nacional.  Estamos envolvendo cada colaborador neste projeto porque acreditamos que cada integrante da equipe precisa entender as mudanças do mercado e do nosso negócio e se ver contribuindo nessa construção. Também estamos com uma nova marca, que, ousadamente, transformamos em música, com um conceito novo e uma equipe renovada.

Seabra Neto –  Como foi possível transformar uma marca em música?

Marcelo Soares – Brincamos de colocar a marca em cima de um pentagrama e ver que música sairia correspondente a essas notas. Foi um exercício de improvisação e experimentalismo. Foi um exercício conceitual para mostrar que tudo pode virar som. Daí, o som de tudo.

Seabra Neto –  Como surgiu o conceito O Som de Tudo e o que ele representa para a Muzak e para a sua vida?

Marcelo Soares – O conceito foi desenvolvido em conjunto com a consultoria, dentro do escopo do trabalho e representa esse novo reposicionamento para toda a equipe e para o mercado. Para mim, significa continuar instigado com o trabalho, uma vez que trabalho e vida pessoal caminham juntos.

Seabra Neto –  Para finalizar, quais são os planos da Muzak para 2017/2018 e como você vê a empresa daqui a cinco anos, quando ela completará 30 anos?

Marcelo Soares – Para este ano e 2018, consolidar o modelo em construção, realizar os projetos que estão na casa e firmar novas parcerias. Daqui a cinco anos, quero que a empresa continue em sintonia com as novas invenções do tempo.

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1 Comentário
  • Carlos Reis disse:

    Em primeiro lugar, parabéns à Muzak e a todos os que fazem desse estúdio uma referência em qualidade nas produções em áudio.
    Em seguida, muito menos ​importante mas, nem por isso incapaz de merecer uma simples citação, quero destacar o fato de que, desde 1999, todo o áudio do espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém tem sido produzido na Muzak, a qual guarda toda a memória auditiva desses quase vinte anos do grande​ evento da Paixão, que se tornou patrimônio cultural imaterial de Pernambuco.