Coluna Seabra Neto

Entrevista: Nill Júnior, novo presidente da Asserpe, fala sobre sua gestão

05 jun 2019 por Seabra Neto

Nessa última semana, o radialista Nill Júnior, gerente da Rádio Pajeú, foi empossado como o mais novo presidente da Associação de Empresas de Rádio e Televisão de Pernambuco – Asserpe. Em entrevista exclusiva para a coluna, ele falou sobre as expectativas e os desafios diante do novo cargo, como será sua gestão, as principais mudanças da associação a médio e longo prazo, além da realidade atual do mercado de empresas de rádio e televisão de Pernambuco. Acompanhe:

Seabra Neto – Quais suas expectativas diante do novo desafio?

Nill Júnior – De fato, é um grande desafio! A ponto de ter que refletir muito sobre esta nova missão. Quanto às expectativas, posso dizer agora, após a posse e pelo contato com os radiodifusores do estado, que são as melhores. A maioria dos nossos desafios são comuns, não importa se estamos na Região Metropolitana do Recife, em Gravatá, Arcoverde ou Petrolina. Assim, grande parte das soluções também são comuns. Como há unidade no meio, certamente serão enfrentados de forma conjunta.

Seabra Neto – O que muda na Asserpe com a sua eleição e gestão?

Nill Júnior – Em linhas gerais, o fio condutor é o mesmo de Cleo Nicéas, a quem tenho a honra de suceder. Talvez, por minha condição de radiodifusor do interior, haja apenas um sentido simbólico um pouco diferente. Essa inclusive foi a aposta dos nomes que fazem a radiodifusão no Estado, a partir do próprio Cleo, culminando com a eleição e posse que, pelo número de associadas, reforçaram esse sentimento. No mais, o sentimento de fortalecimento da Associação e consequentemente da radiodifusão é o mesmo.

Seabra Neto – Como você pretende atuar à frente da Asserpe neste próximo biênio?

Nill Júnior – No primeiro momento, o trabalho é de diagnóstico da realidade da associação e das emissoras de rádio e TV. Disse, na primeira reunião de trabalho, que serei o Presidente que a Associação precisar que eu seja. Então, a partir desse levantamento técnico e institucional, teremos um plano de ação. De pronto, pretendemos visitar todas as emissoras em todas as regiões. Mas cabe registrar que somos um colegiado. Todos serão envolvidos nesse debate.

Seabra Neto – Quais as primeiras ações serão implantadas na associação com sua eleição?

Nill Júnior – Nossa primeira reunião após a eleição será em Garanhuns, no próximo dia 19 de junho. Entendo como um cartão de apresentação.  Além da nossa reunião regular com os radiodifusores, estamos buscando construir um momento entre o meio e os setores da sociedade local. Mostrar à sociedade, através do seu comércio, serviços, instituições, que eles precisam valorizar o rádio e a TV do Estado. Que não existe sociedade forte sem meios de comunicação fortes. Há ainda um anseio do meio de aferir a audiência de nossas rádios por região, dando suporte aos projetos do Escritório de Mídia, por exemplo.

Seabra Neto – Você falou em sua posse que a radiodifusão de Pernambuco está entre as melhores do país e que seu fortalecimento depende da integração de todas as afiliadas, como você pretende fazer isso?

Nill Júnior – Temos encontros setoriais a cada dois meses, alguns percorrendo o estado. Neles, vamos fortalecer esse vínculo e irmanamento, não tenho dúvidas. É uma construção coletiva. Nestes três anos, espero que esta diretoria tenha avançado nesse aspecto. A fragmentação e a falta de unidade dos meios de comunicação só interessam a quem não quer rádio e TVs fortes.

Seabra Neto – Que avaliação você faz dos negócios de Rádio e Televisão diante do avanço da internet e das redes sociais?

Nill Júnior – Vejo em outra perspectiva. O rádio e a TV é que avançaram a partir dessas ferramentas. Para que se tenha uma ideia, por conta de sua credibilidade, já existem rádios em Pernambuco vendendo apenas conteúdo para as redes sociais, sem passar pelo veículo tradicional, porque agregam valor ao anunciante. Quando isso é associado ao rádio tradicional, essa mídia é insuperável, já que impacta 86% da população, segundo recente pesquisa Ibope. O tempo dedicado a ouvir rádio também aumentou. Quanto à TV, pesquisa recente mostra que 195 milhões de brasileiros em 70 milhões de domicílios continuam na telinha. Ela é que gera conteúdo e debate nas redes sociais e não o contrário. Claro, é um movimento que tem que ser observado, para que possamos sempre extrair o melhor das redes. Mas somos nós que estamos agregando valor a elas e incorporando cada vez mais ao meio, e não o contrário.

Seabra Neto – Há diferenças de realidade entre o rádio e a TV da capital e do interior?

Nill Júnior – Você tem diferenças por conta da realidade geopolítica e econômica de cada região. Mas o rádio, por exemplo, se molda bem a essas diferenças. Temos excelentes prefixos que geram conteúdo de qualidade em todas as regiões. Claro, o local onde está o veículo vai determinar seu perfil de público e como enfrentar as dificuldades pontuais, naturais do meio. Mas há uma linha invisível que une a todos: o amor pela radiodifusão.

Seabra Neto – Para encerrar, o que o mercado de Empresas de Rádio e Televisão de Pernambuco pode esperar da sua gestão?

Nill Júnior – Será uma gestão com todo o seu corpo diretivo, atuando no que o setor exigir que ela seja. Temos uma radiodifusão extremamente forte, criativa e competitiva. Assim, é fundamental que sua associação representativa esteja alinhada com esse meio, fortalecendo e difundindo as boas experiências e também as soluções para os nossos desafios.

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