Coluna Seabra Neto

Entrevista: Samico fala sobre os 50 anos de carreira, família e faz revelações de foro íntimo

27 nov 2019 por Seabra Neto

Não sei bem onde, quando, nem tampouco como conheci Nilson Samico. Mas assim como tantas outras pessoas que fazem parte do mercado publicitário de Pernambuco, virei seu fã. Um ser humano autêntico, sério, dedicado à profissão e à família. Samico sempre foi um profissional à frente do seu tempo, procurou continuamente aprender e buscar novos conhecimentos. Referência na área de mídia, tem em sua essência a vontade de ensinar e dividir o que sabe com os novatos. Em entrevista exclusiva para a Coluna no Mercado no Ar, Samico falou sobre os 50 anos de carreira, o mercado, a família e ainda fez revelações pessoais num bate-papo descontraído.   Acompanhe:

 

 

Seabra Neto – Você completou 50 anos de profissão como uma grande referência para o mercado publicitário de Pernambuco. Como foi o início da sua carreira profissional como mídia?

Nilson Samico     No dia 09 de setembro de 1969, uma terça-feira, iniciei minha carreira na Standard Propaganda, depois Ogilvy & Mather S.A., na área financeira, também assumi as funções de office-boy. Comecei muito cedo, obviamente pela necessidade de trabalhar. Havia perdido meu pai quando ainda ia fazer 15 anos e minhas irmãs mais velhas já trabalhavam e proviam nossa subsistência. Senti a necessidade de ajudar também.

Seabra Neto – Você já se viu em outra profissão ou função?

Nilson Samico – No início de minha adolescência, queria ser médico, isso ficou pior no segundo grau, infeliz ou felizmente acabei chegando na propaganda, e tudo começou por causa de um comercial da Shell.

Seabra Neto – Como foi isso?

Nilson Samico – Pois bem! Entre meus 15 e 16 anos, eu era fissurado no comercial (reclame) da Shell com os Mutantes, eu ficava toda noite esperando o comercial ser exibido. Pasme, fui iniciar minha carreira exatamente na empresa que criou o comercial e aí fui mordido pelo bicho propaganda, e fiquei curioso em saber cada vez mais sobre propaganda. O desejo foi aumentando, aumentando e olha no que deu (risos).  Estou eu aqui 50 anos depois.

Seabra Neto Quais foram os maiores desafios durante sua trajetória como publicitário e mídia?

Nilson Samico – Ao longo dessa trajetória, é difícil até numerar, porém aconteceram duas situações – uma boa e outra muito ruim. A boa foi aprender a planejar mídia para produto imobiliário, pois na época o mercado tinha o mesmo comportamento, muitas vezes até na criação. Como conseguimos um cliente que tinha uma verba pequena em relação a outros lançamentos, isso nos provocou a pesquisar, perguntar, analisar para tentar fazer o melhor. Bebemos em fonte com mais experiência e que tinha uns dados de pesquisa sobre comportamento de consumidores que norteou nosso planejamento de mídia. Meses depois, testamos novamente já com outra oferta a mesma estratégia e acertamos novamente. Passamos essa experiência para o Grupo de Mídia na época e, com certeza, esse fato mudou a maneira de fazer mídia para esse segmento de mercado. Como a Globo sempre foi uma empresa antenada, resolveu lançar um produto especificamente para esse segmento de mercado. A ruim foi ter tido a experiência de ter que demitir 40 bons profissionais por motivo de sobrevida da empresa, tive de fazer, porém fiquei uma semana sem dormir direito. Não desejo essa experiência para ninguém.

Seabra Neto – O mercado acha você uma referência, um formador de várias gerações de mídias. Como você se enxerga nesse contexto?

Nilson SamicoAcho isso uma bondade do mercado. O que tenho orgulho é dos profissionais que começaram ou trabalharam comigo e tiveram e têm sucesso até hoje, mas isso é mérito deles, apenas incentivei, trocamos algumas ideias ali, outras lá.

 

 

Seabra Neto – Na época em que você começou, não existiam muitas referências no mercado. Sendo assim, quais foram suas maiores influências na publicidade?

Nilson Samico – Os grandes publicitários, o próprio Isaltino Bezerra, a quem vou ser sempre agradecido, pois sei que torrei muitas vezes o saco dele (risos) com perguntas e mais perguntas para poder aprender, cada vez mais. Junte-se a isso a convivência de grandes papas de nossa profissão, pois a busca do conhecimento era constante, como deve ser até hoje.

Seabra Neto – No momento de uma seleção para ocupar uma vaga de mídia, quais critérios indicam que o candidato será um bom profissional na área?

Nilson Samico – Sempre tive muita sorte em selecionar pessoas, acho mesmo que nunca me decepcionei com nenhum candidato, tive algumas decepções de caráter, mas isso faz parte do aprendizado. Observo muito a busca pelo saber, a seriedade, a dignidade. Se começar a mentir, se autovalorizar, para mim já não serve, ok. Modéstia à parte, nesse item, tenho orgulho dos meus acertos.

Seabra Neto – Qual o papel da mídia hoje no mercado publicitário digital e globalizado?

Nilson Samico – O mídia tem e terá sempre um grande papel no nosso mercado, seja on ou off. Hoje o digital facilitou e, ao mesmo tempo, complicou, pois com as diversas métricas proporcionou maior assertividade, como também aumentou, e muito, os pontos de contato com muitos target, e isso aumenta a complexidade do trabalho da mídia.

Seabra Neto – Em um momento de crise, ou não, qual o posicionamento do profissional de mídia junto aos investimentos do cliente?

Nilson SamicoO profissional de mídia tem que ter em mente a grande responsabilidade sobre o investimento do cliente, em qualquer situação de mercado. E quando tem crise, automaticamente aumenta sua responsabilidade em ser mais e mais assertivo.

Seabra Neto – Se você tivesse que destacar um grande case em sua carreira, qual seria?

Nilson Samico – O meu tempo nesse mercado já complica minha resposta em escolher alguns, pois, graças a Deus, tenho muitos.  Porém para mim, meu grande case foi a família que tenho e que construí junto com minha esposa, meu grande apoio, fora o fato de me aguentar esse tempo todo, que não deve ser fácil (risos). Quando iniciei minha carreira, senti uma procuração. Na empresa, havia diversos diretores, pasmem, a maioria era separado ou desquitado, na época não havia divórcio. Aí me perguntei, que p…… de profissão é essa que não tem ninguém casado (risos).

Seabra Neto – Para encerrar, quais são seus planos para os próximos anos? Até quando você pretende atuar no mercado de trabalho? E quais conselhos você daria para os novos profissionais que queiram abraçar a carreira de mídia?

Nilson Samico – Tenho vontade de mudar de lado do balcão, né. Espero que demore mais um pouco. Enquanto o mercado me aturar, meus sócios aceitarem, vou continuar, pois o tesão pela profissão e a cabeça ainda respiram propaganda e mídia. Para quem vai iniciar, e isso serve para qualquer profissão, se pergunte se gosta, se vai te fazer feliz, pois foi isso que sempre fiz, busquei sempre ter prazer no que faço até hoje. A diferença sempre será o “gosto” de fazer.

 

Samico na intimidade: revelações de foro íntimo

 Como você define sua essência? Sinceramente não sei definir.

Qual conquista marcou sua vida? Amizades que construí.

Qual a sua maior qualidade e defeito? Uma porrada de defeito, qualidade não sei.

Sua fé está ligada a qual religião? Católica.

O que você mais admira nas pessoas? Dignidade.

Qual o seu time do coração? Não tenho, torço pelo Náutico.

Qual seu filme favorito? Vários.

Qual seu livro de cabeceira? O que estiver lendo.

Qual a sua comida favorita? Muitas e, se tiver fome, melhor ainda.

Que palavra pode definir alguém importante? Seriedade.

Qual o valor de uma grande amizade? Não dá para quantificar, nem valorar.

Que ensinamento será sempre contemporâneo? Respeito.

Qual é um bom livro para indicar a alguém? Não me atrevo.

Que escritor admira? Diversos.

Qual a música que traz boas lembranças? Muitas, uma marcante é “Como é grande meu amor por você”, a primeira música que dancei com minha esposa.

Qual cantor ou cantora merece admiração? Muitos.

A qual ator ou atriz você daria um Oscar? Chico Anysio e Dercy Gonçalves.

Do dia ou da noite? Ambos.

Cidade, campo ou praia? Tudo.

Qual a melhor cidade para se viver? Pequena.

Qual país gostaria de conhecer e ao qual retornar? De conhecer Inglaterra, de voltar França.

O que lhe faz dar uma boa risada? Uma boa piada.

O que o deixa triste? Perder.

O que o deixa indignado? Bandidagem.

Qual o momento certo para parar uma discussão? Quando o respeito começa a faltar.

Qual foi o grande acontecimento político dos últimos anos? Sem comentários.

Qual a maior invenção da humanidade? Ainda será inventada.

O que você mais espera da vida hoje? Saúde. 

Qual a mensagem que você gostaria de deixar para as pessoas que vão ler esta entrevista?

É o que penso e que sirva de algum aprendizado ou proveito. Encerrando, como profissional de mídia, não podia perder a oportunidade de me utilizar deste grande veículo para agradecer as diversas homenagens que recebi e continuo recebendo pelos meus 50 anos de mercado. Quando digo que o mercado é bondoso comigo, é porque vários profissionais já fizeram 50 anos ou mais, será que é porque assumi? (risos) Eu nunca nem pensei em fazer de idade quanto mais de profissão. Enfim, quero agradecer a todos e todas, ao Sinapro, Abap, Grupo de Mídia, a clientes, veículos, fornecedores, amigos, não vou citar nome para não me alongar, embora saiba os nomes de todos. Novamente sintam-se agradecidos, estimados e cada vez mais respeitados. Não posso deixar de agradecer à família Queiroz, principalmente a Queirozinho e Cristina, por me aturar esse tempo todo, aos demais amigos sócios, principalmente por terem me honrado com a exposição em homenagem aos meus 50 anos de profissão no Memorial Seu Queiroz. É muita honra! Sintam-se abraçados e agradecidos. Samico – 50anos de mercado.

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