Coluna Seabra Neto

Entrevista: Walter Lins fala sobre os 18 anos da Pronews e da revista na era digital

14 jun 2017 por Seabra Neto

Foi em 1999, quando estava  concluindo o curso de Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco, que o empresário Walter Lins Jr., conhecido carinhosamente como Waltinho, resolveu lançar uma publicação voltada, exclusivamente, para o mercado publicitário. Foi aí que surgiu a Pronews, uma revista especializada em comunicação e marketing, consolidada como uma das mais lidas nos nove estados da região Nordeste, com grande aceitação também nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo. Seguindo uma tendência mundial, a Pronews é mais uma publicação jornalística que sai do papel para a era digital. “A partir de fevereiro deste ano, a revista deixou de ser impressa e passou a ser totalmente digital. De forma ainda mais ágil e completa, com matérias e informações jornalísticas diárias, a edição está cada vez mais forte nas mídias sociais”, comenta Waltinho, que falou sobre a iniciativa e as novidades da Pronews em entrevista exclusiva para a coluna.

Seabra Neto – A Revista Pronews está completando 18 anos de criação. Como surgiu a ideia de lançar uma revista voltada, exclusivamente, para o mercado publicitário?

Walter Lins Jr. Para falar da Pronews, tenho que fazer uma pequena digressão na minha história profissional, porque tudo começou lá atrás, há mais de 30 anos na Art Promoções. Nesta pequena empresa, iniciei minha carreira com o maior profissional de comunicação que conheci: Walter Lins – meu pai. De lá, passei por agências, veículos de comunicação e fui até gerente do Citibank. Como adorava a área e não queria abandoná-la completamente, em 1999, quando estava me formando em Jornalismo pela Universidade Católica de Pernambuco e já tinha uma empresa de assessoria de imprensa, resolvi fundar uma revista para poder continuar em contato com aquele mundo sensacional que era o da publicidade da época.

Seabra Neto – Quais foram os maiores desafios para colocar a revista em circulação?

Walter Lins Jr. O nosso maior desafio foi o mesmo que todos enfrentam para iniciar um veículo de comunicação fora do eixo Rio – São Paulo, o fator financeiro. Mas graças a algumas empresas anunciantes, conseguimos produzir as primeiras revistas. As principais foram Gráfica Santa Marta, TV Globo, Sistema Jornal do Commercio, Rota Mídia, NSA, Bandeirantes Outdoor, Stampa Outdoor, entre outras, que conseguiram enxergar, já no início, a grande oportunidade para alcançarem o nosso público leitor. E é preciso dizer que, naquela época, apenas a Pronews dava prioridade aos assuntos regionais sobre comunicação e divulgava os trabalhos, as empresas e os profissionais nordestinos da área. Aliás, até hoje continuamos sendo a única no Nordeste.  

Seabra Neto – Que estratégias e ações foram utilizadas para que a revista conquistasse seu espaço no mercado?

Walter Lins Jr. A principal estratégia foi nos mantermos sempre próximos aos mercados publicitários, pernambucano no primeiro ano, e de todas as capitais de nossa região posteriormente. Porque, há quase 20 anos, ninguém dava espaço para as agências e os publicitários nordestinos. As grandes edições produzidas, principalmente em São Paulo, só falavam das grandes empresas que tinham contas nacionais. Eu viajava todos os meses para uma das nossas capitais para visitar principalmente agências, anunciantes e veículos. Foi muito trabalho e perseverança para obter o respeito dos publicitários nordestinos! Outra grande sacada foi convidar, desde a primeira edição, uma agência para criar e produzir nossas capas. Com o tempo, tínhamos uma fila enorme de empresas pedindo para fazer as capas. Nesses quase vinte anos, mais de 170 empresas nos emprestaram seus talentos para fazermos capas sensacionais. No final de cada ano, escolhíamos o melhor trabalho. E para coroar essa estratégia de ser uma revista regional, criamos o Anuário das Melhores Agências de Publicidade do Nordeste. Nas suas quinze edições, a primeira em 2001, conseguimos agrupar todas as principais agências da região. Este projeto foi paralisado em 2015 por conta da crise, mas volta em 2018.

Seabra Neto – Como era o mercado publicitário daquela época e como a Pronews se pautava para atender a demanda?

Walter Lins Jr. O mercado publicitário, no início da Pronews, era um e hoje é outro completamente diferente. A comunicação já vinha dando sinais claros de uma grande mudança gradativa de uns anos para cá, mas a grande guinada negativa se deu por conta dessa crise econômica e política. Há vinte anos, tínhamos um mercado em crescimento, com empresas sólidas e uma projeção muito otimista de futuro, principalmente para Pernambuco, que anos depois mostrava um crescimento exponencial. Mas hoje a visão que tenho é que as grandes estruturas de agências e veículos de comunicação não cabem mais neste novo contexto. Com o advento das mídias sociais, os anunciantes passaram, até porque começaram a faturar menos com a crise, a buscar alternativas mais baratas; consequentemente, as agências e os veículos perderam muito financeiramente. E aí vira uma bola de neve, com as demissões em massa que ocorreram principalmente nesses últimos dois anos em nossa área. Acredito que a grande preocupação da maioria dos profissionais do mercado é que, na verdade, nunca mais voltemos àquele tempo áureo do início da nossa revista. Quanto a pautas no início da Pronews, como disse anteriormente, nos mantivemos muito próximos das empresas de onde vinham as notícias – agências, veículos de comunicação e fornecedores. Sem falar da grande contribuição das assessorias de comunicação de todo o país, que nos apoiam e municiam até hoje.    

Seabra Neto – Esse foi um dos motivos que contribuíram para que a Pronews ficasse só na plataforma  digital? E como você vê o futuro das publicações em papel?

Walter Lins Jr. Acho que a passagem de todos os veículos de comunicação impressos para o digital é um caminho sem volta. Aliás, todos eles já tentam fazer essa mudança gradativamente nos últimos anos. Para ter uma ideia, tenho três filhos em casa e observo claramente a mudança de comportamento deles e de seus amigos em relação a mim, quando tinha a idade deles. O mais velho, com 15 anos, só conhece jornal e revista impressa por minha causa. Alguns amigos dele nunca tiveram um jornal nas mãos. Claro que ainda temos um público leitor de mais de 40 anos que continua preferindo o impresso, porém cada vez mais esse mesmo público tem mudado para o digital. Então acredito que será inevitável o fim da imensa maioria das edições impressas em pouquíssimo tempo. Contudo a informação de qualidade, produzida por jornalistas competentes, e de credibilidade continuará a ser valorizada, independentemente de qual plataforma o leitor prefira.

Seabra Neto – E quais são os desafios da publicação digital?

Walter Lins Jr. Comercialmente falando, conseguir faturar melhor.  Porque até agora esse tem sido o maior desafio no meio digital. A Pronews seguiu essa tendência e tem trabalhado ainda mais para manter nossos leitores rapidamente informados sobre tudo o que acontece de importante sobre comunicação em Pernambuco, no Nordeste, no Brasil e no mundo.

Seabra Neto – A Pronews hoje é referência no mercado publicitário não só de Pernambuco, mas do Nordeste. Ainda é difícil, economicamente falando, manter a revista?

Walter Lins Jr. Na verdade, sempre foi muito difícil manter a revista circulando todos os meses, ininterruptamente nesses 18 anos, por diversos fatores já descritos anteriormente. E olhe que tivemos um apoio enorme do mercado gráfico, através de algumas empresas que nos apoiaram desde o início, a exemplo de Santa Marta, Intergraf, Flamar e, principalmente, a Fac Form. Esta, de meu amigo Chico de Assis, deveria ter um capítulo à parte para descrever nossa parceria de mais de 13 anos. Com a evolução das mídias sociais, começamos a observar há muito tempo que nosso mercado, um pouco diferente de outros, por ter profissionais muito mais antenados, estava mais ligado à revista digital do que à impressa. Então acabamos com a revista impressa e começamos a apostar ainda mais nas mídias sociais. Hoje temos um competente e árduo trabalho diário para manter nosso mercado informado através de nossas mídias sociais – Facebook e Instagram. No segundo semestre, começaremos uma nova etapa produzindo entrevistas filmadas com os principais profissionais, discutindo todos os assuntos da área e divulgando seus trabalhos. Afinal de contas, não importa a plataforma que usaremos daqui para frente, mas temos que continuar valorizando, com credibilidade, a informação, os talentos e as ideias.

Seabra Neto – Para encerrar, qual o balanço que você faz hoje da Pronews e como você vê o futuro da revista nos próximos anos?

Walter Lins Jr. O balanço desses 18 anos é muito positivo. Só tenho a agradecer por todo esse tempo de sucesso da nossa revista. Nos últimos anos, estamos vivendo um período complicado, de muitas mudanças, mas não somos os únicos a passar por essas turbulências. Na grande história que acumulamos nessas quase 200 revistas impressas, temos que continuar seguindo com nossa missão de levar a informação competente e de credibilidade para nosso público fiel, que nos acompanha desde nossa primeira edição lá em 1999, quando Giuliano Bianchi criou, a meu pedido, nosso nome. As agências Gruponove, O&M e Aliança diagramaram as primeiras revistas. Tivemos grandes equipes de profissionais que me ajudaram a manter as edições com um ótimo padrão de qualidade. Foi um período sensacional em que crescemos muito. E com essa imensa experiência, devemos continuar com tudo que foi bem feito, corrigir os erros e acrescentar todas as ferramentas modernas para continuarmos a oferecer um trabalho de qualidade para o nosso competente mercado de comunicação, agora de forma ainda mais ágil e moderna, mas sem perder a essência do bom e velho jornalismo aprendido em máquina de escrever. No mais, gostaria de deixar meus contatos (81.99111-2561 – walter@revistapronews.com.br) para novas e possíveis parcerias.

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