Coluna Seabra Neto

Mães publicitárias falam sobre o desafio de conciliar a carreira com a maternidade

15 maio 2019 por Seabra Neto

Em comemoração ao Dia das Mães, celebrado no segundo domingo de maio, a coluna dá continuidade à série Mães e profissionais – um desafio constante. A ideia é reunir depoimentos de publicitárias que fazem o mercado da propaganda de Pernambuco. Elas falam sobre os desafios que enfrentam, no dia a dia, para conciliar a carreira com a maternidade e a dedicação aos filhos. As entrevistadas de hoje são Maria Paula Londres, sócia da Match Comunicação e vice-presidente do Sinapro Pernambuco; e Lorena Leal, sócia e diretora da CASA Comunicação.

Ser a melhor mãe e a melhor profissional que eu posso ser foi uma promessa que fiz a mim mesma

 (*) Maria Paula Londres – sócia da Match Comunicação e vice-presidente do Sinapro-PE.

 “Ser mãe sempre foi meu maior sonho, mas a profissão chegou primeiro. E acabei me apaixonando. A dedicação sempre foi enorme, envolvimento total. Me entreguei a cada job. A maternidade demorou mais do que eu imaginava e chegou num momento em que minhas responsabilidades aumentavam na agência. Durante a licença maternidade de gêmeos, passei a ser sócia da Arcos. Confesso que não foi fácil administrar. Não é fácil! Minha sorte é ter um marido muito participativo, que, mais do que dividir, assume várias responsabilidades. Hoje, tenho dois filhos de 15 anos, uma filha com 9 anos e uma nova empresa: a Match, que, com apenas um ano e meio, exige muito de mim. Às vezes, esses mundos se misturam. Um dia desses, resolvi levar minha filha a um job no Rio, porque estávamos produzindo um evento que foi inspirado por ela. Foi uma delícia unir esses dois papéis! Também aproveito as viagens em família para ser mãe em tempo integral. Tento equilibrar, tento estar presente, mesmo tendo que correr feito louca pra amamentar exclusivamente por seis meses, respondendo a e-mails durante as festas de São João ou conferindo tarefas por WhatsApp no meio de uma reunião e, ainda, raramente conseguindo interagir com mil mensagens de três grupos de mães no aplicativo. Mas decidi não carregar culpa. Decidi que não serei a melhor mãe ou a melhor publicitária do mundo. Mas me prometi que serei a melhor mãe e a melhor profissional que eu posso ser.  Não seria completa sem esses dois lados de mim.”

 

 

Tive a sorte de ter uma mãe forte e um exemplo, que me deu uma dica preciosa: entenda seus limites e dê tempo ao tempo

 (*) Lorena Leal – sócia e diretora da CASA Comunicação.

“Acordo. Academia. Volto para casa. Acordo Malu beijando. Brincamos. Dou banho. Tomamos café. Juntas. Levo na escola. O coração já aperta, mas lembro que já estou atrasada para ir à agência. Vejo a pauta. Faço um briefing. Lembro de retornar a ligação de um cliente. De dois. De três… Reunião com os sócios. Já são 11h50 e tenho que ir pegar Malu. Deixo em casa. Hoje não vamos almoçar juntas. Almoço com cliente. A saudade aperta. Fim do almoço. Começo do facetime. Volto para a agência. Reunião. De planejamento. De atendimento. Com a criação. Espio as câmeras de casa. Reunião, no cliente. Na Zona Sul. São 18h30 e a reunião parece que não vai terminar. Malu dorme às 19h30. Saio às 19h15 de lá. Chego às 20h. Malu dormiu. O coração aperta ainda mais. Jantar. Ler. Será que ainda aguento ver minha série? Não, sono. Dormir. Essa é minha rotina. Um dia normal depois que virei mãe. Bem verdade que tem uns dias mais corridos e outros mais tranquilos, mas via de regra, sempre fica uma sensação de que podia ter ficado mais com ela. Sempre podia ter feito mais na agência. Acho que ser mãe e profissional ao mesmo tempo nos deixa com essas lacunas e aquela velha sensação de culpa, que aperta o coração. Mas a gente vai se acostumando a dar menos peso a isso e vai dando nosso jeitinho no dia a dia. Tive a sorte de ter uma mãe forte e um exemplo, que me deu uma dica preciosa: entenda seus limites e dê tempo ao tempo, aproveitando o simples da vida. Por isso que, quando estou com Malu, estou com Malu. Quando estou na agência, estou na agência. Tento aproveitar cada momento. E hoje, apesar dessa rotina puxada, quando olho para minha filha e, a vejo crescendo feliz, com tanto amor em volta, fico realizada. E quando vejo a CASA, que, mesmo nessa crise, consegue se sobressair e crescer, fico realizada. É fácil ser mulher, mãe com um trabalho puxado? Não. Não é mesmo. Mas ninguém nunca me disse que iria ser fácil. E só posso dizer, de todo meu coração, que a vida é muito mais feliz quando Malu olha para mim com aquele jeito carinhoso e me dá aquele abraço sincero. Isso compensa tudo. É o que me motiva e me dá energia.”

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