Coluna Seabra Neto

Manuel Cavalcanti, da Ampla, revela suas impressões sobre o Festival de Cannes

26 jul 2017 por Seabra Neto

Em Cannes, nada do que foi será.

(*) Por Manuel Cavalcanti – Copresidente da Ampla

Num momento de crise, marcar presença no Festival de Criatividade de Cannes pode até soar como um luxo dispensável. No que diz respeito à indústria da comunicação, porém, a crise não é resultado apenas do momento econômico e político no qual o nosso país insiste em permanecer, ela vem também na esteira da revolução digital que trouxe consigo um cenário de profundas mudanças, desenhando à nossa frente um ambiente extremamente complexo e desafiador, mas com novas e grandes oportunidades.

Ir a Cannes, portanto, mais do que um passeio pela Riviera francesa, é a melhor forma de manter-se atualizado com os rumos que o nosso mercado está tomando, ouvindo a opinião de alguns dos maiores especialistas do mundo, em diversas áreas. E com tantas mudanças em curso, o próprio festival faz o que pode para se manter relevante: a cada ano, aumenta o número de palestras, de categorias premiadas e também de assuntos em pauta, com a tecnologia ganhando mais protagonismo.

O big data do festival seguramente colocaria a inteligência artificial como assunto dominante desta edição. Citada em nove de cada dez palestras, a presença dos robôs é, ao mesmo tempo, fascinante e assustadora. A revolução causada pela inteligência artificial promete ser tão impactante quanto foram as revoluções agrícola e industrial. E o maior desafio é se preparar para esse futuro impreciso, que todos tentam adivinhar, mas que ninguém sabe ao certo como vai ser.

Por enquanto, há, pelo menos, o consenso de que a tecnologia é meio e não fim. Tudo deve ser feito para melhorar a nossa experiência como seres humanos. Outro consenso é que a receita para causar impacto numa audiência cada vez mais dispersa continua sendo uma ideia poderosa e bem executada, com um propósito forte por trás.

É por todos esses motivos que, há alguns anos, a Ampla marca presença no Festival.

Além de um conteúdo compartilhado em tempo real com a nossa equipe, todo o conhecimento adquirido em Cannes serve como referência para o que estamos produzindo para nossos clientes e também para onde vamos seguir, ressignificando – para usar uma palavra da moda – o nosso papel como agência.

Neste ano, por exemplo, anunciamos que não vamos nos inscrever em premiações. Será o nosso período sabático. Voltaremos todas as atenções para a compreensão das transformações do nosso negócio e dos nossos clientes. Por coincidência, o Grupo Publicis, segundo maior grupo de comunicação do mundo, seguiu pelo mesmo caminho, anunciando que nenhuma de suas agências inscreverá peças em Cannes em 2018. Com isso, aumentou ainda mais a pressão por mudanças na estrutura do Festival.

Como um movimento desse porte vai afetar a qualidade e a relevância de Cannes no ano que vem ainda é cedo para dizer. Talvez só indo lá novamente para saber.

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