Coluna Seabra Neto

Publicitários e anunciantes relembram histórias e causos nos 45 anos da Globo em Pernambuco

17 maio 2017 por Seabra Neto

Dando continuidade à série Eu também faço parte dessa história, em homenagem aos 45 anos da Globo em Pernambuco, a coluna desta quarta-feira, 17 de maio, traz depoimentos do sócio-diretor da Makplan, historiador e  membro da Academia Pernambucana de Letras, José Nivaldo Junior; da publicitária e empresária Jussara Freire, sócio-fundadora da MartPet Comunicação; e de Fernando Almeida, sócio da Raio Comunicação. A ideia é ouvir publicitários, donos de agências, produtoras, anunciantes e parceiros que também fazem parte dessa trajetória de sucesso.  Semana que vem tem mais.

Foto ZENIVALDO

A Globo em Pernambuco mal tinha saído do berço

(*) José Nivaldo Junior –  Sócio-diretor da Makplan, historiador e ocupante da cadeira nº 8 da Academia Pernambucana de Letras.

Minha carreira como publicitário começou em 1º de agosto de 1975. A Globo em Pernambuco mal tinha saído do berço. Durante pouco mais de quatro anos, trabalhei como redator publicitário da Alcântara, então uma grande agência de Pernambuco e do Nordeste. Minha relação com a Globo era indireta. A partir de 1979, junto com Luiz Montenegro, criei a MMS e a relação mudou de tom: de agência para veículo. Ou melhor, pela importância da Globo, de veículo para agência. E assim, mantivemos com a Globo uma relação de estreita parceria e afetividade até hoje.

Encontramos na emissora o ambiente profissional de vanguarda a que aspirávamos como modelo para o mercado publicitário e uma disposição para acolher novas ideias e projetos ousados. Encontramos nos seus profissionais pessoas qualificadas e humanas. Quase todos os integrantes do departamento comercial da emissora são meus amigos pessoais e queridos até o presente, bem como o pessoal da produção, do jornalismo e da direção.

Quero registrar dois projetos absolutamente pioneiros que foram levados por nós nos anos 80 e bancados pela Globo como um investimento que deu muito certo. O primeiro foi o projeto do São João de Caruaru, com uma nova abordagem dos festejos juninos em integração com o mercado: briefing  com o cliente Prefeitura de Caruaru, no primeiro ano da gestão José Queiroz (1983). Parceria assumida também pelo Diário de Pernambuco e pela Bandeirantes Outdoor.

Graças à chancela e ao entusiasmo de Cleo Nicéias, com um filme com a marca da criatividade MMS (original e barato) e  a boa vontade da produção comandada por Pedro Tadeu, tivemos a primeira campanha de um evento popular do Nordeste  veiculada nacionalmente, que frutificou, foi ampliada e se tornou referência. Até agora, o modelo continua vigoroso, produzindo filhotes e desdobramentos. Com esse projeto, modéstia à parte, a Globo proporcionou a Luiz Montenegro e eu que garantíssemos nosso lugar na história da propaganda nordestina e brasileira.

Outro registro de pioneirismo, também ligado à Globo em Pernambuco e a Cleo: levei para ele um projeto, ajustamos e desse modo Pernambuco foi o primeiro estado a ter jogos do campeonato regional televisionados ao vivo, aos sábados, quebrando o modelo consagrado de quarta e domingo. O sucesso foi adotado pela Globo Nacional, aplicado,  estudado e adaptado ao mercado brasileiro. Bem, não digo que foi por isso, mas demos a nossa contribuição para que o futebol se tornasse o produto com a dimensão que tem hoje. São dois exemplos históricos.  Saí da MMS em 1990, mas com a Makplan a parceria continuou no mesmo ritmo, construindo outros cases de sucesso.

Dando um salto para a contemporaneidade, comprovando que a emissora evoluiu fiel aos seus princípios e aos seus compromissos com a cultura local, no final do ano passado firmamos uma parceria para veicular uma campanha ligada à restauração do prédio da Academia Pernambucana de Letras, um símbolo vivo da cultura do Estado, que Iuri Maia Leite e sua equipe acolheram com o carinho e a sensibilidade que despertam na Globo os grandes temas locais.

É essa, para mim, a chave do enorme sucesso da Globo em Pernambuco: ser nacional, mas falar a linguagem local. Valorizar o que é nosso. Mergulhar na alma da região e promover o que temos de mais legítimo e mais autêntico. Ser nacional sem deixar de ser local. Ser uma megaestrutura, mas abrir espaço para novas ideias. Tratar pequenos clientes com a mesma atenção que merecem os grandes patrocinadores. Pensar mega e agir micro. Isso tem nome: grandeza. Esse é o espírito Globo que me emociona.

Foto JUSSARA

São 34 anos de admiração pelo padrão Globo de comercialização

(*) Jussara (Pettini) Freire, sócio-fundadora da MartPet Comunicação

 

Nossa, como o tempo passa rápido! Parece que foi ontem que, trabalhando na Bahia, conheci a “ tropa de choque do comercial da Globo em Pernambuco”, vendendo uma cota de Bom Dia Brasil para o Banco Econômico. Meu cliente Chico Pessoa, homem de visão e superexigente, pedia o impossível e a equipe da Globo atendia. E a agência, na época a Propeg, trabalhando muito. Foi assim que conheci a equipe do comercial da Globo, com destaque especial a Jairo Pereira, um verdadeiro mestre. Eu era ainda uma nordestina recente e fiquei encantada com a conquista. Poxa, um cliente daqui fazendo um patrocínio nacional de um programa ainda no seu início! Foi ousadia de todos os lados e o banco  continuou o patrocínio durante outros anos mais. Nisso, eu já estava no Recife onde convivi mais de perto com essa equipe admirável. Jairo até me convidou pra ser contato da Globo, mas a burra não aceitou (risos).

Mas a história continuou. São 34 anos de admiração: sem dúvida, o padrão Globo de comercialização trouxe uma contribuição incrível para  nosso mercado, trazendo regras e inovações importantes para as boas práticas comerciais e a relação de confiança entre anunciantes e suas agências. Fico muito feliz também em ver o Iuri como o homem forte da Globo no Nordeste, pois o conheci como um jovem promissor e  hoje ele é um profissional admirável. Foi na Globo daqui que também aprendi o pernambuquês com a jornalista e apresentadora Maria Anunciada, no NETV, com a frase inesquecível: “O Náutico tirou Tilico do time “. O acento no T me fez adorar todos os tititis. E não é à toa que hoje quero assinar como Jussara Pettini. Viva a Globo!

Foto FERNANDO

A Globo sempre soube administrar e valorizar o mercado nordestino

 (*) Fernando Almeida – Sócio-diretor da Raio Comunicação

Parece que foi ontem… No final de março de 1972, eu trabalhava como contato na filial da Norton Publicidade e, como o quadro de funcionários estava bem enxuto, dava uma “mãozinha” na mídia. Lembro que, numa tarde, recebo a visita de Fábio Clemente, que tinha sido contratado para ser um dos contatos da Globo em Pernambuco. Conversamos sobre a programação da nova TV, que já estava “testando o sinal” e, que no dia 22 de abril daquele ano, seria inaugurada. Fábio me entregou a tabela de preços e foi enfático: a Globo não concede descontos. Fiquei surpreso com tal informação, já que conseguíamos fazer boas negociações à época com os outros veículos instalados no Recife. Nesses 45 anos de atuação, realmente o mercado sempre contou com a ética adotada e difundida pelos bons profissionais que passaram e por outros que continuam atuando na Globo daqui. Sempre souberam representar muito bem o veículo junto a clientes e publicitários da região.

A partir de Fábio, não podemos nos esquecer de José Luiz Franchini, Fred Rúfilo, Williams Cabral, Roberto Cângelo, Adeladio Paredes, Lúcia Medeiros, Noêmia Arruda, Jorge Oliveira, João Almeida e Joel Castro (ambos in memoriam) e Iuri Maia Leite, que conheci bastante jovem, muito bem orientado por Cléo Nicéas, que enxergou no filho do grande jornalista Ronildo um profissional de futuro para a TV Globo.

Quando gerenciei durante 10 anos o departamento de publicidade da São Braz, tive a oportunidade de fechar vários negócios com Iuri, que atendia, dentre outros clientes, a pujante empresa paraibana. Iuri sempre relembra alguns negócios que concretizamos e comenta que participou juntamente comigo do lançamento dos Salgadinhos Pippo’s.

Graças à formação e dedicação de talentos, a Globo soube muito bem como administrar e valorizar carreiras de profissionais nordestinos e, principalmente, pernambucanos, sempre os colocando no nosso mercado, assim como ocorreu com Cleo e, recentemente, com Iuri, que se tornaram diretores regionais em nosso estado da maior rede de televisão brasileira.

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